segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Ninguém serve
O jornalista redigiu errado, o vestibular não sabe avaliar, e a faculdade do outro não é tão boa quanto a nossa. Entretanto, a nossa também está cheia de defeitos, que a gente só enxerga com outras pessoas do mesmo meio. As filas para qualquer coisa estão intragáveis, a bebida do bar estava doce demais, mas no outro dia estava de menos. Os garçons demoram eternidade para atender, a mocinha do caixa tem cara de bunda, o direitor se acha o mandão.
Os populares do trabalho/escola/academia/etc pensam ter um rei na barriga; as celebridades são desequilibradas. O mundo é uma droga, ninguém ajuda ninguém, falsidade is in the air.
E a gente? É muito melhor que qualquer coisa daí de cima? Pra mim, somos tão bons como qualquer item citado, mas, infelizmente, ainda não inventaram espelhos para os defeitos não- palpáveis.Muitas vezes pensamos ser tão melhores, quando na verdade, somos até piores.
Ninguém serve para ninguém ,as pessoas aos próprios olhos são só qualidades, e os outros, só defeitos.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Nosso analgésico
De igual maneira agimos no dia-dia com as pessoas que gostamos.Sempre nos dizem : cuidado com suas atitudes, pense antes de falar, de agirde forma impulsiva. E quem ouve ? Então erramos, magoamos os outros, nos machucamos. Achamos que , ok, erramos, mas depois pedimos desculpas e estará tudo bem. Acontece que nem sempre as coisas caminham assim. Um pedido de desculpas nem sempre remedia totalmente um erro, geralmente ameniza. Digamos que.. tira a febre, mas não garante que a dor de cabeça também passe.
Embora não pareça, desculpas consolam a gente, não a pessoa afetada em questão. E não, nem sempre está tudo bem depois de um 'ah, me desculpa ! ' . Dependendo do que se disse, do que foi feito, talvez nunca saia da memória do outro. Então , nesse caso o melhor é prevenir mesmo, e não apelar para "benegripes" da vida; evitar não só tomar gelado, mas também esfriar nossa relação com quem gostamos por magoá-los com deslizes que poderiam- e deveriam- ser evitados.
A dor é um sinal que o corpo envia para nos falar que algo não anda bem, que é preciso mudança de postura, de modo de vida. Ela ensina, te impulsiona a agir de uma forma melhor-para você e para os demais. Mas não é necessário que os outros sejam as cobaias destinadas aos testes de nossas infinitas formas de pedir desculpas.
domingo, 2 de agosto de 2009
Realidade
Ensinam a gente que os homens não prestam. Ok. Mas o que seria não prestar ? Porque ninguém nos falou, ao invés de ' menina, homem é tudo igual, não valem nada' , algo tipo' seja realista, observe onde está indo e se vale a pena'. Ai, acho que , talvez, pudesse ser mais fácil levar as decepções que passam pela vida da gente. Se você toma como ponto de partida que todas as pessoas ao seu redor são podres, um dia você pode encontrar alguém realmente legal e não perceber isso. Da mesma maneira, se você toma como ponto de partida que todos serão bons com você, quando aparecerem os oportunistas, falsos, e interesseiros, você se decepcionará, e será bem triste.
Não sei no mundo masculino como as coisas funcionam, mas pelo que eu percebi no 'meu' mundo é que queremos que tudo seja perfeitinho. Então, nós vamos crescendo e vendo que a realidade não é perfeita, que todo mundo vai se decepcionar, infelizmente. Mas nós também vamos decepcionar alguém. Nós queremos que aquele carinha gracinha, que vimos no bar outro dia, seja sincero, legal, divertido, que nos chame pra sair,seja agradável, que diga coisas lindas, que seja sensível, praticamente, que seja perfeito. Mas porque nós não lembramos que ele tem direito de não estar afim da gente, de não querer compromisso (nenhum), e sei lá, de querer que, depois de conseguir algo, virássemos uma pizza ? Isso parece - e é- tão insensível.. mas é um direito de escolha. Quando as intenções são essas, a pessoa envia sinais, às vezes bem claros por sinal, mas nós insistimos em nos enganar.Em achar que, embora ele pareça totalmente longe de 'prestar', conosco, será diferente-claro.
Queremos achar que ele vai ver que somos ótimas, que temos 'n' qualidades, que ele vai se arrepender de não ter curtido. E aí, acho que poucos (as) percebem que perdem tanto tempo nisso, tanto tempo com algo e alguém que, definitivamente, não valia a pena. Que podiam aproveitar esse tempo e ir encontrar alguém legal de verdade, e que mostrasse isso.
E sabe, acho que essa mania de se auto-enganar atinge todos os setores da vida. Nós perdemos - eu perco, perdi- tanto tempo dedicando atenção a fatos, pessoas, situações que fogem da perfeição idealizada , sendo que esse tempo podia ter sido tão melhor aproveitado.
A realidade pode parecer muito cruel, ou pode ser melhor do que esperamos. Depende do tamanho da 'bolha' em que vivemos. Quanto mais realista tentamos ser,quanto mais tentamos compreender o que nos cerca, quanto mais somos tolerantes, quanto menos tentamos nos enganar, melhor e mais fácil tudo pode ser. E então, enxergamos o que realmente é importante- e nos faz bem.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Busca Estranha
Reparei que vivo buscando algo que me faz falta de alguma forma.Revirando meus pensamentos, descobri o equívoco: eu não buscava, esperava encontrar.E mesmo encontrando esse algo, tinha medo de não ser exatamente o que eu pensava ser, exatamente como pensava ser. Então optei por não esperar encontrar mais.
Mas não tem jeito, esse algo faz falta. Me mostra nos pequenos detalhes do cotidiano que poderia estar aqui, mas não está. Me lembra como todos precisam dele, mas tentam não enxergar. Então comecei a pensar novamente a respeito, tentar encontrar esse algo perdido e sentido. Conclui ser simples, sem ser fácil: companhia.
Não, não é um amor, nem tão pouco uns beijos descompromissados. Há pessoas possuidoras de ambas coisas simultaneamente , e ainda sim, não têm companhia. Obviamente sinto falta de relações mais.. carnais, daquele friozinho na barriga antes de sair com alguém, de contato, o corpo sente . Mas sem companhia, a lacuna não preenchida é maior.
É possível satisfazer o falta sentida pelo corpo facilmente. É possível encontrar beijos casuais em qualquer lugar. É possível encontrar desejo em muitas pessoas.É possível entrar em contato, sentir-se tocada, sentir-me atraída por várias pessoas. No entanto, não é possível conseguir um abraço sincero solto por aí. Nem se ter uma troca de olhares de felizes somente pela presença das pessoas em questão em qualquer esquina. Tão pouco um entrelace de mãos transmissor de segurança. Não é fácil ter uma companhia.
Ver alguém sorrir porque você chegou. Estar ao lado de uma pessoa , ficar em silêncio e não haver constrangimento por isso. Saber que há desejo, contudo não ser o único sentimento conectivo . Sentir confiança, ter diálogos e não monólogos e sentir prazer neles.Alguém despreocupado e desinteressado em coisas a serem oferecidas. Alguém sem ações premeditadas , nem calculadas. Uma companhia para me acompanhar.
Eles
E nós vivemos reclamando que eles não nos dão a devida atenção que merecemos. Reclamamos que não reparam em nós, que não notaram nosso vestido novo de 550,00 reais. Que , pode parecer absurdo, mas eles nem comentaram sobre os três dedos que cortamos do comprimento do cabelo. Que não viram que a nossa lingerie caríssima é nova e foi comprada só para ser usada com eles.
Reclamamos de como são impulsivos e como podem ser sem-vergonhas. De como brigam facilmente e depois acham que tudo está bem. Odiamos como olham pras outras mulheres e de como isso nos faz sentir as últimas das últimas. Não suportamos a famosa falta de sensibilidade e não entendemos como eles podem gostar tanto de carros, pornografia e filmes violentos e porque praticamente dão risada do Diário de Uma Paixão enquanto choramos como crianças.
E então, nós perdemos tanto tempo reparando nessas diferenças gritantes que não nos damos conta que são elas que nos unem. Não vemos que as qualidades deles nos completam de uma forma inexplicável. Que toda a sensibilidade que procuramos neles é aquela que temos em excesso. Que quando eles nos pegam chorando em filmes e nos falam “ mas é só um filme, sua bobinha, não precisa chorar” demonstra que também são sensíveis. Que aquele abraço apertado num dia de TPM é tudo que nós precisávamos – muito mais que chocolate -.
Esquecemos que toda vez nos encontramos com eles, embora não tenham levado 3 horas para ficarem prontos, estão incrivelmente lindos, cheirosos e ficam babando quando nos vêem, quando nós também babamos. E aí achamos que porque eles não repararam que mudamos a cor do esmalte de ‘renda’ para ‘paris ‘ e eles não notaram, é o fim do mundo. Que sim, definitivamente os homens são uns idiotas insensíveis que não levam em consideração o quanto nos entregamos a eles e como leva tempo e dinheiro para ficarmos lindas pra eles.
E eles não entendem qual a bendita diferença entre pintar o cabelo de loiro claríssimo e loiro claríssimo acinzentado, e nós não entendemos porque eles ficam doentes quando um Porsche de 15.10³ cavalos de potência passa perto. Mas sim, mulheres, eles reparam em nós. Eles notam que nosso cabelo está bem cuidado, que fazemos as unhas. Eles adoram estar perto de nós e sentir nosso perfume e reparam quando não o estamos usando. Reparam na forma como nos vestimos e nos comportamos. Reparam na nossa excessiva sensibilidade .
Mas nós não reparamos o quão bom eles podem ser e são. Em como se sentem orgulhosos por estarem conosco. Em como se esforçam pra repararem em cada detalhe do nosso visual , só para poder comentar e ver como a gente fica feliz. Não vemos que não há independência financeira ou status social que substitua um amor verdadeiro que eles podem oferecer. Não notamos que eles gostam de como nós somos, com ou sem maquiagem, com ou sem a lingerie caríssima da Victoria’s Secret, com ou sem nossas infinitas paranóias. E quando estamos com eles, não notamos como a simplicidade contrastante deles nos faz falta.
E reparamos tanto no fato de eles não repararem nos detalhes, que esquecemos de notar que eles reparam no conteúdo, no conjunto da obra, e nós, nas pequenas coisas que não nos fazem falta quando estamos longe deles.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Muitas pessoas pensam que situações difíceis são ruins. De fato, prazeirosas não são.Elas podem machucar, elas podem nos trazr transtornos , não só momentâneos, mas até permanentes. Elas podem acabar com a nossa auto-estima, minguar nossa coragem, abalar nossa fé, nossa vontade de seguir em frente. Situações difíceis podem nos partir em pedacinhos, sim.
No entanto, é dos momentos de prazer que tenho medo. Das facilidades, de ter em abundância, de ser em abundância. Prazer demais, tudo bom demais acaba em desvalorização. E só vamos perceber o quanto era bom quando não temos mais.
Se temos fome, valorizamos a comida. Se temos comida, a jogamos fora . Se estamos sozinhos, valorizamos a companhia. Se estamos acompanhados, valorizamos a individualidade. Por que será que é assim ? Por que não consigo valorizar , de verdade, o que tenho enquanto eu tenho ?!Excesso de dificuldades podem nos deixar amargos. Excesso de prazer, indiferentes. Não devia ser assim.
Às vezes acho que até alta auto-estima em excesso faz mal. Assim como baixa auto-estima .
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Sentido
O que na vida faz sentido?
Às vezes, eu começo a pensar sobre tudo isso e chego à incrível conclusão : nada faz sentido. Mas aí, eu começo a tentar conectar tudo, e vejo que na verdade, tudo faz tanto sentido que os motivos estão entrelaçados e parecem não existir.
Igual.. por que nos irritamos com coisas tão idiotas se depois, uqnado paramos pra pensar, vimos que aquilo não fazia sentido para tanto stress. Não faz sentido.
Por que falamos tanto da vida do outro, se odiamos que falem da nossa ?! Não faz sentido.
Por que queremos que as pessoas tenham paciência conosco, se nós não conseguimos ter paciência com ninguém ?!?!?!?!
Não faz sentido.
E por que a gente guarda tanta mágoa, momentos tristes, coisas ofensivas ditas por outros, se na verdade, nós gostamos dos momentos felizes, se nós buscamos os momentos felizes, se guardar rancor nos faz mal, nos deixa doentes, stressados, desiludidos ?Não faz sentido.
E por que nós corremos tanto atrás de tudo que é material, atrás do que pode ser comprado, se o que nós mais precisamos, mais queremos, e que mais nos completam, não é comprado?
E por que nós demoramos tanto pra enxergar tudo isso ? E pior, por que mesmo depois de ver tudo isso, não conseguimos mudar ?
É.. triste.