sábado, 3 de dezembro de 2011


"O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto."


Fabricio Carpinejar




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ser bonito é mais fácil


A gente critica o mundo por valorizar a cultura da plasticidade, da aparência, da beleza. No entanto, nem percebemos que sim, é uma forma de integrar mais pessoas ao mundo dos 'queridos' pelo próximo. Você pode forjar o volume dos seios com sutiã de enchimento, pode parecer mais saudável com o tom de blush certo, pode fazer academia e ficar mais bombadinho; mas, como forjar a honestidade? Você pode operar seu nariz e se enquadrar nos padrões, mas como reformar sua essência?Você ai que se acha honesto, reclama quando alguém te dá dinheiro a mais de troco?


Podemos dizer que os valores estão invertidos, que a sociedade está doente, que o correto seria ter como padrão a ser seguido o Gandhi e o Sócrates ao invés não o líder do BBB. Mas o líder do BBB é mais um bobão como a maioria de nós somos - só que, ás vezes, bonitinho.


Se fosse critério de escolha a beleza interior e isso fosse realmente transparente , talvez muitos de nós nunca seríamos escolhidos por alguém. Afinal, a beleza está nos olhos de quem vê; a integridade está nos passos de quem a vivencia - e para isso não há como ter múltiplos gostos e opiniões.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Muitas pessoas passam por nossas vidas. Algumas deixam mensagens dentro da gente. Há aquelas que te dizem: você é importante para mim, não me esqueça.Há outras que dizem: eu fui importante para você, talvez você nunca me esquecerá, não faça isso. Há as que não deixam nada como lembrança.
Finalmente, há aquelas que foram importantes para você e que talvez até tenha sido recíproco, mas que não se sabe o proquê, fazem questão de te dizer: esqueça que um dia passei por aqui

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Só mais um

Só mais um dia daqueles que a gente precisa desabafar ou explode. Mais um daqueles em que nos decepcionamos com alguém ( ou conosco ) e precisamos extravasar. Mais um daqueles em que o cansaço pesa forte. Um daqueles que a gente presta atenção em qualquer letra de música e todas parecem se encaixar no nosso caso ( será que só eu sinto isso? ) .

Será que todos têm medo de magoar quem diz gostar, assim como eu tenho ? O triste é que não há como cobrar cuidado, carinho e respeito de um mundo que não consegue isso pra si. Difícil lembrar que gostar de alguém é algo que se faz gratuitamente, sem esperar nada em troca, nenhuma gratificação. Difícil segurar todas aquelas palavras que vão machucar o outro, quando você está machucada. Difícil se lembrar que um crime não ameniza, diminui ou extermina o outro já feito. Vai ser um crime, vai ter suas consequências e vai te exigir responsabilidades.

Difícil conter a decepção, principalmente quando o motivo dela te procura , te faz lembrar as razões que a levaram e não te deixa esquecer.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

There's no change




And then everything is over. Again. It's like see the same movie many times in different places, with different people, in different times. It's your life going thru circles. Infinite circles.



Por muito tempo pensei que um dia minha vida passaria por uma mudança brusca, como se eu dormisse na minha casa e acordasse em Paris ( rs). Sempre esperei o dia em que isso aconteceria. Talvez fosse o dia em que eu visse meu nome entre os aprovados do vestibular; talvez o dia em que eu acordasse ao lado do amor da minha vida pela primeira vez; talvez quando visse o rostinho de um filho pela primeira vez. Talvez o dia da minha primeira vez, do primeiro beijo, do primeiro namorado. O primeiro dia de cursinho, primeiro dia de faculdade, primeiro dia de trabalho. Os primeiros foram acontecendo e , a cada dia, a sensação de frustração aumentando: a mudança não chegava.


Então eu a programava para o próximo dia 1º, próxima segunda-feira, próximo amanhã. Todos eles chegaram, menos a que eu buscava. Entretanto, o pior não é a frustração de esperar algo nunca vindo, mas de repetir os erros, as expectativas, sabendo o resultado. Afinal, o tio Einstein ja disse :


"Insanidade define-se como repetir a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes. " ( algo assim ).


Nem eu mesma mudei. Já cheguei a pensar que era outra, que havia corrigido tantas atitudes, tantas bobeiras, mas não- e, às vezes, acho que isso nem acontecerá. Talvez eu seja, ainda que inconscientemente e de forma bem disfarçada, sempre aquela menina bobinha à espera do cavalo branco montado pelo príncipe. Tão ridículo, não ? O príncipe que não pensa em sexo o tempo todo, mas que te deixe com vontade; que não queira secar com os olhos os peitos de outra, ainda que a olhe, porque sabe o quanto isso é tosco, aquele gracinha, sensível sem perder a masculinidade; firme, mas flexível; quase uma mulher com algo a mais entre as pernas. É, é ridículo. Tantas foram as expectativas , tantas as decepções. Talvez não por não ter encontrado alguém assim, mas alguéns que adoravam afirmar serem assim, ainda que nunca quiseram ser.


Vi , então, que minhas expectativas sem fundamentos eram muito pesadas para serem projetadas ; ninguém é obrigado a atingir uma projeção alheia. Muito mais leve é carregar apenas a responsabilidade pela própria personalidade e, então, ser querido assim, por ser assim. É como namorar um fumante esperando sempre que ele pare de fumar. Beira o absurdo, mas a gente não percebe.


Talvez essa percepção seja um prenúncio de mudança,mas gradativa. Ninguém ganha na loteria espiritual, moral , intelectual ou na do engrandecimento.Você aposta muito, gasta todo o seu salário, mas não é sorteado.. nem nunca será. O ricos fazem poupança ou investem. Poupam conselhos, conhecimento, motivos de maus resultados, determinação e investem na vida, diariamente. São transações de alto risco; pode-se ganhar muito, mas também perder . Então ,surge a maturidade como grande administradora da casa. A mãezona que te ensina a aceitar, a dizer não, a apostar nas épocas propícias. Ensina também que, por pior que seja o investimento, dificilmente será inútil.


Ensinou-me a talvez agradecer por minhas expectativas não terem sido atingidas, afinal, aprendi muito mais; principalmente a tentar entender as diferenças, aceitá-las e evoluir meu pensamento.Ensinou-me ainda que , de fato, não há mudança, brusca ou gradativa; há aperfeiçoamento.Que nem eu mesma atinjo as expectativas projetadas sobre outros.




Então, vi que a vida não muda, não acaba, não começa. Apenas continua sob outras perspectivas.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Passando

Há alguns anos li uma história cujo fundo de sabedoria me marcou pra sempre.

Um rei pediu a alguém para escrever uma mensagem para ser colocada dentro de um anel que o ajudasse em algum momento difícil da sua vida, que seria lida apenas naquele momento. Colocada a mensagem, o rei passou a usar o anel. Um dia, perdeu-se em uma floresta e por 'n' motivos e perigos, leu a mensagem : isso também vai passar. Passado o perigo, ele ficou feliz com a mensagem , além da vida estar intacta e deu uma festa. O alguém que escreveu a mensagem, então, falou ao rei que ela não era para ser lembrada apenas nos momentos tristes, de perigo, mas nos felizes também.O rei não gostou muito do comentário, e não se importou muito, o que permitiu uma falta de vigilância do reino enquanto a festa acontecia, ou seja, o reino foi invadido.

Enfim, uma história meio bobinha, mas que vem à minha mente todos os dias, em qualquer momento. Tudo passa, tudo acaba, tudo começa, recomeça. Às vezes o que passou deixa alívio; às vezes deixa raiva, mágoa; às vezes deixa tristeza; às vezes deixa aquela sensação de dever cumprido; às vezes aquela sensação de inutilidade, de impotência; às vezes, a de arrependimento; finalmente, há aquelas que deixam saudades.
Saudades de um uma década boba, de atitudes imaturas, de falta de juízo. Saudades da época de ignorância, de antigas visões sobre o mundo, sobre os outros, sobre si. Dos momentos de amor, dos antigos amigos, dos antigos professores, das festinhas de aniversário.
Há saudades que doem muito. Não porque passou o tempo, mas porque perdeu-se do tempo.
A sensação de ser empregada da própria empresa.
Não que qualquer momento seja ruim, há aquelas coisas que só são aprendidas a base de castigos e berros - tipo deixar toalha molhada em cima da cama. Entretanto, nesses momentos chatinhos, a ideia do isso também vai passar é muito confortante e, quem sabe, calmante.
Talvez não seja o tempo que passe, mas nós que passamos por ele e ainda ganhamos um presentinho - tipo aquelas camisetas vendidas na praia " estive em tal lugar e lembrei de vc' - as lembranças. Nem sempre boas, nem sempre benéficas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Era uma vez alguém em qualquer lugar. Este alguém vivia intensamente seus minutos, seus momentos. Fazia e acontecia, não levava desaforo para casa. Não tinha medo de expor suas ideias, medo de desagradar, medo de ser alguém mais do que ser qualquer um .Gostava de observar como os outros agiam, como levavam a própria vida e aconselhava-os, mesmo que os conselhos fossem rejeitados.
Também sempre foi o sucesso e equilíbrio em pessoa. Dosava suas emoções, não as misturava com sua vida profissional. Seguia seus objetivos, afastava de si os negativistas piedosos. Decisão o caracterizava bem; analisava prós e contras e então decidia-se. Portava sempre boas respostas a perguntas incovenientes e complexas.
Era uma vez qualquer um em algum lugar. Esse era seu oposto. Era a própria indecisão, a timidez, o medo de gerar conflitos. Preferia guardar suas opiniões, afinal, para que mostrá-las àqueles que nunca mudariam as suas ou estariam dispostos a ouvi-las ? Preferia estar nos bastidores, ajudar na construção do espetáculo , mas nem sempre ser parte dele. Preferia imaginar o mundo que o alguém vivia.
Mas algo unia-os: a vontade de mudar o mundo. Sonhavam muito em ajudar as pessoas a achar seu caminho, a serem mais felizes, a consertarem seus erros. Assumiam os problemas alheios como se fossem seus próprios problemas. Tinham boas intenções.
No entanto, um dia perceberam que muito disso resultava inútil. Que muitos não querem ser ajudados. Não querem ouvir o que outros têm a dizer. Não darão o braço a torcer, não mudarão de opinião. Perceberam que talvez seriam acusados de invasão por isso. Sentiram o quanto é triste assistir a tantos sofrimentos que nada poderiam amenizar.
Então notaram quanto tempo foi investido nos outros . Durante quanto tempo sofreram com os outros e esqueceram dos próprios problemas, quantas vezes se colocaram em último lugar e quantas vezes isso não ajudou nada, nem ninguém.
Souberam , assim, que muitas vezes era estúpidos e julgavam-se inteligentes. Decidiram esquecer suas diferenças e tentarem uma harmonia, tendo em vista um grande objetivo existente em comum.

Desde então tento mantê-los unidos e em paz, aqui, dentro de mim.