
Ao som de "Moonlight Sonata"

"O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto."
Fabricio Carpinejar

A gente critica o mundo por valorizar a cultura da plasticidade, da aparência, da beleza. No entanto, nem percebemos que sim, é uma forma de integrar mais pessoas ao mundo dos 'queridos' pelo próximo. Você pode forjar o volume dos seios com sutiã de enchimento, pode parecer mais saudável com o tom de blush certo, pode fazer academia e ficar mais bombadinho; mas, como forjar a honestidade? Você pode operar seu nariz e se enquadrar nos padrões, mas como reformar sua essência?Você ai que se acha honesto, reclama quando alguém te dá dinheiro a mais de troco?
Podemos dizer que os valores estão invertidos, que a sociedade está doente, que o correto seria ter como padrão a ser seguido o Gandhi e o Sócrates ao invés não o líder do BBB. Mas o líder do BBB é mais um bobão como a maioria de nós somos - só que, ás vezes, bonitinho.
Se fosse critério de escolha a beleza interior e isso fosse realmente transparente , talvez muitos de nós nunca seríamos escolhidos por alguém. Afinal, a beleza está nos olhos de quem vê; a integridade está nos passos de quem a vivencia - e para isso não há como ter múltiplos gostos e opiniões.