quarta-feira, 10 de abril de 2013

Conjugação


Eu fui.
E sabia, e acreditava, e estava certa.
E estive, e vi .
E acordei.

Eu era.
Éramos.
Talvez não fôssemos, talvez seríamos.
Talvez eu não fosse.

E andei,  e senti, e vi.
E vivi.
E estranhei, desacreditei.
E me questionei, e me desesperei.
E não quis ver mais.

E li, e descobri, e redescobri.
E pensei, repensei.
E nada concluí.

E vi.
E passou, e andou, e correu, e mudou.
E foi confuso.
E me questionei, e me sabotei, e quis voltar.
Quis ser de novo.

Ela era, ele era .
O mundo era.
Eu era, mas não sou mais.

E andei, e ouvi, e vi.
E ando, e  ouço, e vejo.
E estou.
Continuamente.

sexta-feira, 15 de março de 2013

As alianças que você não quer mais usar




Duas alianças - ela foi uma joia que Deus me deu e  um dia pediu de volta. Nenhuma aliança – nós fomos muito felizes, ele foi um marido maravilhoso. 

Não.Não falo daquele amor não superado que te jogou no chão e te arrancou lágrimas lá do estômago , por pouco te fazendo perder a fé em outro ser humano. Nem  da incapacidade de seguir em frente e viver lamentando o que passou,  arrependimentos e mágoas amargas. Valores, memórias e  compromisso voluntário – falo do que desistimos  aos poucos.

Tão comum demonstrar  relacionamento  com alianças, ainda que  não envolva.É  bom estar ao seu lado, você  é engraçado e mata minha carência, precisamos de alianças; não é tão bom estar ao seu lado como era ao lado da ex, mas é bom que usemos alianças,quero que ela veja que me perdeu. Moça, meu namorado vai viajar e não pode ir sem aliança ! Moça, se nosso relacionamento acabar, a culpa é da demora da entrega dessas alianças!

A falsa sensação de se  prender o sentimento, que pode ser guardado no bolso dependendo da festa. Por que depositamos tamanho apego nelas  e tão pouco na confiança, no respeito?  Por que  demonstrar o que não se quer assumir?  

Nenhuma aliança- burro amarrado também come capim.Uma aliança- olhamos pra “isso”  e, depois,   para “aquilo” que a gente tem em casa e até dá desânimo.

Aproveitar a variedade, comparar os prós e contras, escolher melhor mais pra frente. A inteligência daquela, o corpo da outra, a simpatia da terceira. Sei lá, por que apenas um ?   Pra quê sofrer ?  Então chega aquela e mostra como é  se sentir junto de uma e sozinho com tantas.

Talvez ela seja nosso medo. Que invada e nos ligue  além ; estar com ela apesar de ela não estar mais.  Querer a presença apesar  dos cabelos a menos, da chatisse constante, do tempo que passou.  Não, o caldo ralo de sentimentos já  basta .

 Após o término  achamos que tudo  deve imediatamente terminar. As memórias, os compartilhamentos,  as coisas ditas...  acompanhem  a aliança, lá na privada.  Ex bom é ex morto , mas ele não  morre. No máximo, fica escondido.  

 Por que tentar estraçalhar  as memórias  ?Por que não mantê-las  com a serenidade da vivência que valeu a pena, apesar do fim ?

 Confundir  superação com esquecimento, com indiferença, com  agressões  e apontamento de defeitos. Admitir referência  ao ex com carinho, respeito, doçura? Que horror! É ex. Se fosse bom, seria atual . Um dia foi e nesse dia estava comigo , agora não presta mais.

Falo da aliança que você não quer fazer com os momentos passados , e daquela que você não quer manter com seu companheiro, já que seu colega de trabalho é mais bonito e sua vizinha é mais gostosa. Da vacuidade a que você se submete por medo de sofrer e do quanto sofre por não assumir a importância de ontem  .

Sim, você encontrará alguém melhor. Ele também , mas ainda está ao seu lado..

Duas alianças. Uma  pessoa . Nenhum espectador.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

De costas






Então vá, você faz tanta questão. Não diz abertamente , não tenta estar mais perto;  só se confessa nas entrelinhas . Na conversa mais curta, na despedida apressada, naquele jantar frente à tv, de costas pra mim.


Você comigo e eu só te daria as costas pra ouvir , abraçada, o que tem a dizer. Talvez também pra não ouvir quando estivesse irritada . Daria as costas pro seu mau humor e pro dia em que você dormiu mais cedo. Daria as costas pra sua indiferença.

Não sei, talvez seja realmente difícil estar de frente ; mais do que estar ao lado.Na sua frente , estou de frente. Talvez não toda, talvez sem graça, geralmente olhando. Cada detalhe, analisado, mapeado, sentido. Na minha frente, não sei se também te vejo de frente, se há algo de você ali ; mas imagino, e imagino muito. Imagino até o conforto de estar frente a frente  -sem medo, sem  palavras  interrompendo, só a gente.

Mas vá, eu te entendo. Também já quis te dar as costas, quem sabe ? Também já quis me dar as costas .Só não estarei na sua frente depois, nem ao lado. Não estarei ali.

Estarei, talvez, onde você não chegue mais,  ou onde eu não te notarei se você chegar. Lá, onde eu te disse que estava antes de você aparecer. Em paz, de frente pra mim.

sábado, 14 de abril de 2012

A Suficiência de um Porquê




Escolher. Um dos meus maiores dramas.A análise de prós e contras sempre foi bem atormentadora - como saber se ela está correta ao não ser pelo ato em si? Como imaginar todos os possíveis efeitos a serem provocados e, assim, projetar minuciosamente o que fazer ? É a escolha de acordar que faz o dia acontecer. A escolha da profissão que guia , possivelmente, toda a vida. Quem.Quando. Onde.Por quê ?

Aquele momento em que se questiona o porquê suficiente para aquela escolha. Quando todas as outras variáveis dependem dos porquês. E, principalmente, o instante da insuficiência. Eis a dor da escolha: a constatação de que, se escolher é a decisão pelo que ganhar, também se decide o que perder. Como perder. Quando perder.

Diz-se que , se examinássemos nossa consciência e nossos atos atentamente, raras seriam as vezes em que poderíamos alegar impossibilidade de ação para um resultado diferente. Difícil encarar a própria responsabilidade. Mais difícil é lidar com o produto de uma única iniciativa .


Quantas pessoas atingidas, quantas situações criadas. Quanto sim, quanto não, advindos do depois.

Uma expressão;uma palavra; a direção de um olhar ;o silêncio ,quando alguma coisa podia ter sido dita e não foi.

Vejo , então, como mais completas as escolhas que se mantêm. Suficientes motivos compensadores - das perdas consequentes, dos ganhos combustíveis.

Seguir.


Ao som de "Moonlight Sonata"

sábado, 3 de dezembro de 2011


"O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto."


Fabricio Carpinejar




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ser bonito é mais fácil


A gente critica o mundo por valorizar a cultura da plasticidade, da aparência, da beleza. No entanto, nem percebemos que sim, é uma forma de integrar mais pessoas ao mundo dos 'queridos' pelo próximo. Você pode forjar o volume dos seios com sutiã de enchimento, pode parecer mais saudável com o tom de blush certo, pode fazer academia e ficar mais bombadinho; mas, como forjar a honestidade? Você pode operar seu nariz e se enquadrar nos padrões, mas como reformar sua essência?Você ai que se acha honesto, reclama quando alguém te dá dinheiro a mais de troco?


Podemos dizer que os valores estão invertidos, que a sociedade está doente, que o correto seria ter como padrão a ser seguido o Gandhi e o Sócrates ao invés não o líder do BBB. Mas o líder do BBB é mais um bobão como a maioria de nós somos - só que, ás vezes, bonitinho.


Se fosse critério de escolha a beleza interior e isso fosse realmente transparente , talvez muitos de nós nunca seríamos escolhidos por alguém. Afinal, a beleza está nos olhos de quem vê; a integridade está nos passos de quem a vivencia - e para isso não há como ter múltiplos gostos e opiniões.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Muitas pessoas passam por nossas vidas. Algumas deixam mensagens dentro da gente. Há aquelas que te dizem: você é importante para mim, não me esqueça.Há outras que dizem: eu fui importante para você, talvez você nunca me esquecerá, não faça isso. Há as que não deixam nada como lembrança.
Finalmente, há aquelas que foram importantes para você e que talvez até tenha sido recíproco, mas que não se sabe o proquê, fazem questão de te dizer: esqueça que um dia passei por aqui